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Troca de Casais - Entrevista do psiquiatra G.J.Ballone
Data: 26/03/2006

Uma anedota antiga dizia, comicamente; tarado é a pessoa normal pega em flagrante...
Com isso talvez se quisesse dizer que todos os normais têm seus momentos (ainda que em forma de fantasia) de permissividade ou libertinagem.
O que se vê atualmente, parece ser a exposição desavergonhada dos bastidores do teatro da vida social; tudo aquilo que se escondia atrás do palco começa a aparecer claramente para a platéia. E esta platéia experimenta sentimentos que vão do espanto nauseoso à surpresa hilária.
De todas as atuais manifestações de hipersexualidade, o que parece causar mais espanto é a revelação despudorada de algo que sempre esteve presente no psiquismo humano; a atividade sexual erótica em contraposição à sensualidade sublime.

1) troca de casais e casamento aberto. Isso acontece em outras culturas?
Ao longo da história humana, inúmeros modelos de convivência conjugal foram tentados. Há registros de poligamia, concubinato e outras variações da sexualidade conjugal em várias eras de nossa história, como Salomão, por exemplo, que tinha mais de 400 concubinas e 700 esposas, também o termo sodomia, em alusão à orgia geral de Sodoma, tem idade bíblica.
Mas, uma coisa são as regras culturais e outra é a natureza biológica, humana em particular. As regras culturais parecem variar de tempos em tempos, enquanto as mudanças da natureza humana (se existem?) são imensamente mais lentas.
O modelo "casamento aberto", por exemplo, é uma tentativa de mudar as regras sociais, e nem sempre é acompanhado pela capacidade de aceitar mudanças pelas pessoas.
No consultório de psiquiatria vêem-se pessoas que não se adaptaram à troca de casais e, depois de alguma experiência nesse sentido, entraram em falência emocional.
Parece que o ser humano aceita com muito mais facilidade emocional a troca de parceiros e, menos facilmente, a troca de casais. Entre o casal existe um sentimento que favorece mais a sensualidade sublime, notadamente por parte das mulheres. Entre parceiros sexuais existe mais a sexualidade erótica. São coisas diferentes.
Estudando a qualidade dos sentimentos humanos, vamos entender que a paixão está mais relacionada à sexualidade erótica, enquanto o amor à sensualidade sublime.

A troca de casais acontece em animais?
A troca de casais não existe no reino animal por uma questão de definição. Entende-se por casal uma união duradoura e exclusiva, como o caso das araras ou das emas, por exemplo. E esses animais não trocam de casais, definitivamente, chegando a morrer o outro, tão logo um deles morra primeiro.
Mas não podemos falar em troca de casais entre bovinos, suínos, eqüinos, caprinos, etc, porque esses animais não formam casais. No máximo eles se juntam em parceiros sexuais por tempo limitado, geralmente fugaz.
Portanto, por questão de definição, arriscamos a dizer que os seres humanos também não trocam de casais com propósitos luxuriantes; trocam de parceiros. Isso quer dizer que, por questão de definição, enfatizo, quando ocorre a troca de casal entre humanos, deixou de existir o casal, dando lugar aos parceiros.
Deve ficar claro, entretanto, que a convivência entre parceiros não tem, obrigatoriamente, nada de pejorativo. É uma opção conjugal para a qual a pessoa deve estar preparada. O que pode causar desconforto emocional é quando os cônjuges não definem claramente o que significam um para o outro: se casal ou parceiros.
Os esquimós tinham o hábito cultural de oferecer a mulher aos visitantes amigos, embora não houvesse conotação promíscua.

Porque os casais em desarmonia conjugal são tão comuns?
Talvez a maior causa de desarmonia conjugal seja a desinformação sobre as desigualdades masculino-feminina em relação à sexualidade. O impulso sexual, tanto feminino quanto masculino, pode se manifestar através da sexualidade erótica ou da sensualidade sublime, embora haja predominâncias.
A tendência à monogamia, por exemplo, é atributo predominantemente feminino, condizente com prerrogativas afetivas de seu psiquismo. A vocação polígama é predominantemente masculina e tem forte vínculo hormonal, relacionado à testosterona. Isso não quer dizer que não existam exceções em ambos os gêneros.
De modo geral, a mulher se satisfaz mais com a sensualidade sublime. O impulso sexual que atende à sensualidade sublime na mulher pode ter início no café da manhã, através de alguma demonstração de carinho por parte do parceiro, pode exacerbar-se se o parceiro abre a porta do carro, se demonstra qualidades desejáveis para um bom companheiro, como compreensão, participação, cumplicidade, etc.
Finalmente, o impulso sexual feminino se completa com a intimidade na cama, considerando a penetração uma parte (nem sempre a mais importante) da importância sexual global do parceiro.
Para a sensualidade sublime é ativada uma parte do sistema nervoso central chamada de Sistema Límbico.
Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza são originadas no Sistema Límbico. A parte do Sistema Límbico relacionada mais especificamente às emoções e seus estereótipos comportamentais denomina-se circuito de Papez.
Concluindo, do circuito de Papez faz parte uma região nobre chamada Hipotálamo e este, finalmente, é quem governa a expressão das emoções. Portanto, o Hipotálamo regula a função de abastecimento do sistema endócrino e processa inúmeras informações necessárias à constância do meio-interno corporal (homeostasia). Coordena, por exemplo, a pressão arterial, a sensação de fome e, em nosso caso, o desejo sexual.
Psiconeurologicamente pode-se deduzir que a maioria das emoções negativas compromete o Sistema Límbico a ponto de prejudicar o desejo sexual. Isso ocorre, por exemplo, na raiva, ira, depressão, ansiedade aguda, etc. A influência límbica sobre o sistema genital feminino aparece claramente nas alterações menstruais ocasionadas por razões emocionais. Menos visível, mas mais incômodas, são as alterações da libido igualmente ocasionadas por emoções.
A sexualidade masculina, por sua vez, costuma ser mais relacionada aos lobos frontais e temporais. Verificou-se que lesões bilaterais dos lobos temporais, por exemplo, podem resultar na síndrome de Klüver-Bucy, caracterizada por comportamento hiper­sexual e outros desequilíbrios do comportamento social.
O desejo sexual masculino se estimula mais pelos órgãos dos sentidos do que pelos sentimentos, como é o caso das mulheres. Para a sexualidade masculina é muito importante a visão, o tato, olfato.
Talvez por causa da necessidade desses estímulos o homem sente mais cobiça sexual que as mulheres, portanto, buscam mais novidades sexuais (parceiras) que as mulheres. Estas, por sua vez, experimentam mais a cobiça por objetos de grande valor simbólico, como bilhetinhos, cartas, datas, músicas, jóias, perfumes, flores, etc.

Se o coito é basicamente o mesmo, por que a variação de parceiro ativaria mais o mecanismo de prazer?
Esse é um dos enganos. O coito não é sempre o mesmo, o que se repete são apenas os últimos momentos do coito, os momentos mais próximos ao orgasmo. Portanto, o orgasmo é instintivo, ou seja, é uma atitude que se repete sempre da mesma forma, numa mesma espécie animal, motivado pelo prazer que proporciona. O coito em si, no ser humano, é muitíssimo variado. Ele pode começar, ao menos em termos de planejamento, que já causa prazer, no convite para jantar, numa olhadela sugestiva e assim por diante.
E é exatamente esse leque de opções, onde se inclui a troca de parceiro(a) que ajuda a motivar o desejo sexual. No homem a troca da parceira estimula o desejo sexual por atender também sua necessidade de conquista, na mulher, muitas vezes, pela reafirmação da auto-estima.

Vários casais precisam beber para se "soltarem" e viverem este tipo de experiência: sabe-se como é a neuroquímica deste se soltar?
O álcool, assim como qualquer outro estado afetivo mais ou menos euforizante, se caracteriza por relaxar a repressão dos conteúdos inconscientes socialmente vigiados e questionáveis. O inconsciente é o "quartinho de despejo" da alma humana, depositário de tudo aquilo que não pode ficar espalhado pela casa sob, o risco de nossas visitas ficarem mal impressionadas. Ora, fantasias eróticas são de ocorrência praticamente universal, mas ficam, na maioria das vezes, guardadas no "quartinho de despejo". Os estados eufóricos abrem as portas desse "quartinho".

A idéia de que o poder é erótico não pode ter alguma base biológica, de acordo com a idéia de que o status do macho é que atrai as fêmeas entre alguns primatas?
O poder tem um forte apelo erótico, predominantemente nas mulheres. Isso ocorre exatamente porque a sexualidade é mais sentimental que impulsiva nas mulheres, ou seja, deve haver um sentimento maior que a sensação, esta última mais atrelada ao comportamento sexual masculino. O poder, seja físico, intelectual, político, financeiro, ético, etc, atende a determinados sentimentos que aguçam a libido feminina. Resumindo e à grosso modo, podemos dizer que a mulher tem maior interesse em sentir com quem está fazendo amor e o homem em sentir com o que está transando; um estímulo é hipotalâmico e outro fronto-temporal.


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